Bolinha de Árvore de Natal

 

Bolinha de Árvore de Natal

en portugúes y español
por Henrique Mendes

H- arbol

 

Ontem, eu estava colocando a iluminação na árvore de Natal.

Ainda não estamos em Dezembro, a árvore já está ficando pronta, e eu ponderava exactamente a respeito de toda esta antecipação, que pode até ser vista por alguns como sendo um exagero, principalmente por se tratar de uma casa sem crianças.

Foi nesse momento, que o fio eléctrico das pequenas  lâmpadas coloridas, mais grosso que o dos outros enfeites mais delicados, soltou do seu lugar uma linda bola prateada, grande e muito brilhante, que foi caindo pela árvore abaixo e provocou uma avalanche de pequenos enfeites coloridos que já estavam instalados.

Claro que não foi uma tragédia. Talvez até me tenha dado oportunidade de refazer melhor alguns dos detalhes e de tornar mais belo ainda aquele conjunto que, pelo menos a meus olhos, sempre tem uma beleza que me surpreende e sempre ultrapassa o que eu antecipo.

Optei por fixar o mais difícil primeiro e instalei sólidamente a iluminação. Depois, com todo o cuidado, peguei na grande bola prateada e voltei a pendurá-la na árvore, num lugar que me pareceu acolhedor e seguro para ela. Na sua superfície prateada, muito brilhante e lisa, o reflexo distorcido das agulhas do pinheiro natalício formava desenhos esverdeados, salpicados de pontinhos brilhantes. E podiam ver-se também manchas azuis das fitas próximas e de outras bolas, e as minhas mãos mexendo-se pareciam provocar na superfície curva da grande bola uma sugestão de movimento.

Sendo esférica, parecia rodar sobre si mesma. E tornou-se inevitável, mesmo à minha mente distraída, a comparação com o nosso planeta. E quanto mais pensava nisso, mais a semelhança se tornava notável. Os oceanos a azul, a verde os espaços verdes. Branquinha na parte superior, reflexo do tecto da sala. E muitas luzinhas por toda a parte, reflexo das pequenas lâmpadas e dos seus reflexos noutras bolas da árvore. Parecia o nosso planeta, realmente.

E era tão grande a semelhança, que me afastei um pouco da árvore e me sentei por uns momentos no outro lado da sala, olhando para ela com atenção.

Claro que tinha sido uma coincidência – ou talvez não, não importava muito – mas aquela bola que caíra tinha feito com que eu olhasse com mais atenção para a árvore enquanto um todo, e depois com mais minúcia para os seus detalhes. E nessa semelhança que agora lhe encontrava com o nosso planeta, nasciam raciocínios inevitáveis sobre como tudo se encontra interligado, e como todos dependemos de coisas que nos são comuns.

Achei pequenas as manchas verdes na bola, e lembrei-me do desmatamento e da redução da superfície vegetal no planeta. Fiz paralelos com os aumentos da seca, e lembrei-me dos muitos milhões de pessoas que vivem sem água de qualidade, e de outros milhões que vivem já sem água quase nenhuma. Há poucos Natais, isso não era assim.

Depois lembrei-me de represas contendo resíduos venenosos, desabando e destruindo, na passagem de suas lamas, coisas que nos são fundamentais à sobrevivência. Matando no imediato, e contaminando para o futuro. E tudo numa dimensão gigantesca, com um alcance que ninguém previu e que põe em causa os modelos de controlo que temos.

Fiquei mais tempo do que esperaria, sentado no meu sofá, e olhando aquele planeta que bem vistas as coisas, cabe naquela bola da minha árvore de Natal. Estarrecido, vi como se erguiam ao alto bandeiras criminosas evocando fantasmas e escondendo ideologias oportunistas, sem esperanças de ganhos reais, apenas vontades de infligir perdas.

Olhei mais tempo, e vi guerras disfarçadas de religião. Vi negócios, na escassez em que deliberadamente são mantidos os empobrecidos, vítimas  duma História que alguns tentam reescrever sem o menor pudor, nem vergonha, nem sentido de verdade.
Não vi problemas insolúveis. Vi toda uma casta de políticos desnecessários, burocratas oportunistas sobrepondo-se à humanidade, absurdamente corruptos e muito distantes da vida real – que é feita de suor e dificuldades, mas também de superação, sobrevivência e de uma grandiosidade que, na sua maioria, eles desconhecem.

O que vi foi um planeta inteiro sendo mobilizado, motivado  para entrar em guerra outra vez, em vez de incitado a canalizar as suas forças para a tarefa perfeitamente possível que é o bem estar de todos. Não consegui abstrair-me do exemplo da bola de Natal. É evidente que em todos os erros e derrocadas há a oportunidade de corrigir e melhorar.

E por fim, regressei à minha sala, e à árvore de Natal ali na minha frente, feita com tanta antecedência. A linda bola prateada, que me faz lembrar o nosso planeta, continua vacilante e instável, mas vou fixá-la  melhor para que não haja uma nova derrocada que arruíne tudo o que foi feito antes.

De qualquer forma, a árvore de Natal, assim com esta antecedência,  já fez algo que é precioso para mim: – deu-me um tempo de reflexão que acho ser cada vez mais necessário, sem pressas nem pressões, e no qual eu posso tentar distinguir o certo do é errado. Onde posso separar o que realmente é verdade, daquilo que é a verdade conveniente a alguns. Onde posso escolher entre o que realmente são os meus valores,  e os valores que querem que eu tenha.

Com esta antecedência tenho ainda tempo para pensar, e chegar ao dia de Natal liberto de tudo o que não quero para mim. E no fim do dia 24, quase à meia noite, provávelmente haverá adultos indignados com o barulho que vou fazer à janela. Vou agitar umas campainhas, bater com as mãos na mesa imitando o galope das renas e gritar “ hou… hou… hou… Feliz Natal ! “

Tenho a certeza que algumas crianças me entenderão, independentemente da idade que tiverem, ou da língua que falarem.
E que haja paz na terra, aos homens de boa vontade.

 

* * *

 

Ayer, yo estaba poniendo la iluminación en mi árbol de Navidad de este año.

Aún no estamos en Diciembre, el árbol ya está casi listo, y yo ponderaba exactamente al respecto de toda esta anticipación, que puede hasta ser vista como una exageración,  principalmente por tratarse de mi hogar, donde no hay niños.

Mientras pensaba en todo esto, el filo eléctrico de las pequeñas lamparitas coloridas, más grueso que todos los otros ornamentos más delicados, ha hecho  soltarse de su lugar una linda bola plateada, grande y muy brillante, que fue cayendo por el árbol abajo y provocó una avalancha de otros pequeños ornamentos y adornos que ya estaban instalados.

Claro que no fue una tragedia. O quizá eso me regaló la oportunidad de rehacer mejor algunos de los detalles, colocar mejor algunos de los adornos y volver más bello aún aquel conjunto  que, por lo menos a mis ojos, siempre tiene una belleza que no cesa de sorprenderme y que siempre excede todo que yo anticipo.

Opté por fijar todo lo más difícil primero, e instalé sólidamente la iluminación. Sólo entonces, con mucho cuidado, volví a poner la bola plateada en un lugar que me  pareció acogedor y seguro para ella. En su superficie plateada, muy brillante y lisa, el reflejo distorsionado de las agujas del pino navideño  formaba dibujos verdosos, salpicados de puntitos brillantes. Y se podían ver manchas azules de las bolas y otras cintas de adorno de los regalos en la base del árbol.

Mis manos  trabajando provocaban en la superficie de la bola una idea  de movimiento. Siendo una esfera que  parecía rodar sobre sí misma, tornó inevitable para mi mente distraída, hacer la comparación con nuestro planeta. Y cuanto más ponderaba sobre eso, más notable era la semejanza.

A los océanos los veía en color azul, y en verde los espacios verdes. Se veía blanquita en su parte superior, reflejando el techo de la sala. Y lucía un poquito por todas partes, reflejos de las pequeñas lámparas y de sus reflejos en otras bolitas. Con todo eso, se parecía muchísimo a nuestro planeta.

Y era tan grande esa semejanza, que me alejé un poco hasta una silla confortable, del otro lado de la sala, donde me quedé mirándola con atención.

Por seguro que habría sido una coincidencia – o tal vez no, no importaba mucho – pero, aquella bola que cayera me había hecho mirar el árbol con más atención, en cuanto un todo. Y pasado eso, con más  minucia a todos sus pequeños detalles y significados. Y en esa semejanza que ahora le encontraba con nuestro planeta, nacían raciocinios inevitables, también, sobre cómo todo se encuentra ligado, y sobre cómo todos dependemos de cosas que nos son comunes.

Las encontré pequeñas, las manchas verdes en la bola, y me acordé  de la deforestación y de la reducción de la superficie vegetal en el planeta. Hice paralelos con el crecimiento de las zonas áridas, ya sensibles en todos los lados, y fui devastado por recuerdos de los muchos miles de millones de personas que viven sin tener agua de calidad. Y de otros millones  que simplemente no tienen agua casi ninguna, de ningún tipo que sea. Recuerdo, perplejo y enojado, que hace pocas Navidades eso no era así…

Entonces me acordé de represas conteniendo residuos tóxicos, desmoronándose y destruyendo, en el pasaje del barro, cosas que son fundamentales a nuestra supervivencia. Matando en lo inmediato y contaminando para el futuro, en una forma perversa de muerte perpetuándose en el tiempo. Y todo eso  en una dimensión gigantesca, con un alcance que nadie ha previsto, y que pone en cuestión  los modelos de controles que tenemos.

Me quedé más tiempo qué podría esperar, así desolado y mirando  aquel planeta que, bien vistas las cosas, cabía en mi árbol de Navidad. Aterrado, vi cómo se erguían alto las banderas criminales evocando fantasmas y encubriendo ideologías oportunistas, sin esperanzas de ganancias reales pero llenas de esperanzas de infligir daños y perjuicios.

Miré un poco más de tiempo, y vi guerras disfrazadas de religión. Vi negocios en la escasez en que deliberadamente son mantenidos los empobrecidos, víctimas inocentes de una historia llena de vergüenzas que algunos intentan reescribir sin el menor pundonor, ni vergüenza, o sentido de verdad.

No he visto problemas insolubles, no! Vi toda una casta miserable de políticos corruptos e innecesarios, burócratas oportunistas que se sobreponen a la humanidad, muy alienada y muy alejada de la vida real – que está hecha de dificultades y de sudor, pero también de superación, supervivencia y de una grandiosidad que, en su mayoría, ellos  desconocen.

El que he visto fue un planeta, mi planeta, siendo movilizado, bajo motivación cruel, para entrar en guerra global otra vez, en vez de  ser incitado a canalizar sus fuerzas para la tarea perfectamente posible que es el bienestar de todos.
No alcancé a abstraerme del ejemplo gratuito de mi bolita plateada. Y quedó evidente para mí que, con todos los errores y derrocamientos, hay enormes  oportunidades de aprender, corregir y hacerlo mejor.

Finalmente regresé a mi árbol navideño, allí en mi sala, hecho con tanta anticipación. La gran bola plateada que me hizo pensar en nuestro planeta sigue poco firme y un tanto frágil. Pero voy a fijarla mejor para que  no vuelva a haber otro desmoronamiento que ponga en ruinas todo lo hecho anteriormente.

De todas formas, mi árbol de Navidad, así hecho, ya  alcanzó algo que es precioso para mí: me dio un tiempo de reflexión que creo cada vez más necesario, sin prisa o presiones, con lo cual puedo intentar separar lo correcto de lo erróneo. Donde puedo intentar separar la verdad de la verdad conveniente. Donde puedo elegir entre cuáles son mis verdaderos valores y los valores que quieren que tenga.

Con este antecedente, tengo aún tiempo para pensar y llegar al día de Navidad libre de todo el que no quiero para mí. Y al final del día veinticuatro, casi a la media noche, probablemente habrá varios adultos indignados con el ruido que voy hacer en la ventana de mi casa.

Tendré todas las lucecitas encendidas en mi árbol. Voy a agitar unas campanitas, y golpearé la mesa con mis manos imitando el galope de los renos.  Y voy a gritar muy alto  “ Hou …Hou…Hou… ¡¡¡Feliz Navidad!!!

Estoy seguro de que algunos niños van a comprenderme, independientemente  de su edad, religión de sus padres, o de la lengua que hablen.

Que haya paz en la tierra para todos los hombres de buena voluntad.

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